Sonoridades expansivas

Os sentidos mais lentos faziam com que a perceção do que o rodeava desacelerasse. Faziam-no acreditar que se movia mais rápido do que o mundo à sua volta. Estava bêbado.

A sonoridade expansiva de Joy Division, ou mesmo o pulsar quase sexual de Chet Faker, que estavam a passar, compensavam as suas inseguranças.

Ele. O seu batimento cardíaco. O seu ritmo corporal. Tudo estava em sintonia com aquela pista de dança. Aquela massa de gente à qual tantas e tantas vezes sentia uma distância intransponível. Uma distância preenchida a vácuo.

O Arnaldo desta vez, não sentia que ia destruir aquilo a que esteve sempre destinado a ser. Esse destino marcado, sabe-se lá por quem, dizia que haveria de ser grande. Só porque sim.

Mais um vodka.. Mais um shot.. Sente-se mais confiante. Porém, o mundo recomeçou a acelerar. Era ele quem estava a ficar para trás.. Uma vez mais.

Mais um vodka… Mais um shot… Os seus amigos foram para casa. Está ele e a massa de gente. Que já não lhe diz nada. A sonoridade já não é expansiva. É constritiva. Sabe o que o espera. Um táxi. Um regresso. Uma ressaca

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